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Quem é Papai Noel e onde se encontra na Bíblia?


Neste período de Natal, chamou-nos a atenção uma campanha dos católicos norte-americanos intitulada “Catholic Come Home”.

Na verdade, esta campanha faz parte de um dos muitos vídeos que este grupo vem produzindo com o objetivo de motivar os católicos afastados da Igreja ao retorno à comunhão e a vivência pastoral. Neste vídeo de dezembro, Papai Noel aparece cercado de pessoas e crianças, mas, de repente, ele vê algo no céu e se afasta do grupo, procurando por algo. Seguindo uma estrela pelo meio das ruas de uma pacata cidade, ele chega a um local. A busca finalmente acaba quando ele encontra numa manjedoura o menino Jesus cercado pelos típicos personagens do presépio. Papai Noel, então, se ajoelha e adora o menino Jesus. A questão de pano de fundo é: por que Papai Noel tomou o lugar de destaque que pertencia a Jesus, no Natal? Ao contemplar essa inusitada cena, Papai Noel no Presépio, poderíamos até nos perguntar: onde está Papai Noel na Bíblia?

Papai Noel não está na Bíblia, não é um personagem que compõe nenhuma história presente na Sagrada Escritura. A figura é inspirada em São Nicolau de Mira, personagem lendário do século IV d.C., bispo de Patara, antiga Ásia Menor (Turquia). Ele foi um cristão que marcou a sua jornada fazendo caridade aos mais pobres, principalmente crianças órfãs. Mesmo sendo originalmente da Turquia, suas relíquias foram levadas para Europa, para a cidade de Mira, Itália, local onde começou uma grande devoção e, depois, em todo ocidente. Ele se tornou muito popular, ao ponto de países como Rússia, Noruega e Grécia o escolherem como padroeiro.

Segundo a tradição, ele teria sido preso na época da perseguição de Diocleciano, mas libertado com a ascensão do imperador Constantino. Mas sua vida não foi nada fácil, mesmo com a liberdade de culto aos cristãos, ele se viu envolvido nos problemas internos da igreja do século IV, que cresciam, como as controvérsias com o arianismo. Em meio aos acalorados debates, Nicolau foi punido e impedido de continuar como bispo da Igreja de Patara. Foi justamente neste contexto, que ele se retirou a uma vida mais reclusa e passou a se dedicar aos mais pobres e necessitados. Ele morreu dia 6 de dezembro de 350, marcando a história com a sua renúncia ao pastoreio eclesiástico, mas não ao amor e a caridade aos mais empobrecidos.

Mas será que existe alguma coisa na bíblia que justifique a existência de uma figura lendária como a de Papai Noel? Na verdade a figura de Papai Noel tem pouco a ver com a bíblia e, até mesmo com o São Nicolau histórico. Obviamente, ele serve hoje como figura de marketing econômico, símbolo de uma sociedade de consumo, no entanto, existem elementos bíblicos relevantes na história de Papai Noel e de São Nicolau. Na tradição judaica, os dons oferecidos no Templo em Jerusalém era a forma mais bonita de comunhão entre a comunidade judaica e seu Deus. Os animais oferecidos, em determinados tipos de ofertas, eram divididos entre o que era queimado no altar, que pertencia a Deus, a parte que era dos sacerdotes e a parte que era devolvida ao próprio ofertante para partilhar com os seus familiares. Os pobres em Israel deveriam ser cuidados e isto era um princípio ético importantíssimo. Mesmo no período de colheita, por exemplo, não se podia pegar os alimentos caídos no chão, pois pertenciam aos pobres, viúvas e estrangeiros necessitados. Na tradição oral de Israel, se diz que o profeta Elias vem disfarçado de pobre para testar a caridade dos judeus. Da mesma forma, Elias ajudaria as famílias pobres que o acolhessem sem saber quem era, dando o necessário para que eles vivessem dignamente. No Novo Testamento, os magos seguiram a estrela do oriente e chegaram até o menino Jesus, oferecendo a ele presentes, que simbolizavam toda a sua jornada como messias. O ouro, sua realeza; o incenso, a dimensão espiritual e cúltica; a mirra, o seu sofrimento. Os magos são representados na arte e na tradição cristã como três, justamente por causa dos três presentes. Eles, provavelmente, são os personagens mais próximos do Papai Noel lendário.

No sentido teológico, o ofertar algo para quem amamos, simboliza a experiência de comunhão e afeto. Mas mais importante do que dar para quem pode nos retribuir, é ofertar para aquelas pessoas que não podem devolver. Essa é a experiência da gratuidade cristã, de uma relação que não é baseada em trocas ou interesses, mas na verdadeira fraternidade, o amor. É neste amor que foi marcado o maior gesto que a humanidade pode testemunhar: a entrega da vida toda, até as últimas consequências, por nós. Mesmo por aqueles que não o acolheram, mesmo por aqueles que o crucificaram. A Sagrada Escritura nos ensina que Deus se manifesta naquele que cuida e naquele que é cuidado. Assim, o aprender a doar e a receber com gratuidade e humildade seja o verdadeiro sentido do Natal e, talvez, o “papai Noel” da Bíblia esteja escondido aí. Um feliz e santo Natal!


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